Defesa Helena de Barros
Depois da primeira defesa demestrado da ESDI, esta com certeza foi a mais concorrida, tanto pelo número de pessoas como pelo fato de ser na sala de projeções (agora reformada) da ESDI.
A tese de Helena de Barros, “Em busca da aura: dinâmicas de construção da imagem impressa para a simulação do original” é sui generis, pois tem um lado técnico (ou prático) muito pertinente – discorrer sobre questões da reprodução de imagem em mídia impressa – além de fazer um histórico da evolução das técnicas de impressão onde a qualidade é fundamental. Indo pelo outro extremo, toca em questões teóricas - de semiótica - ao analisar a questão da imagem em nossa sociedade, ao colocar a existência da imagem original – que possui seu caráter simbólico e original - versus a imagem reproduzida com seu caráter de simulacro do real. Uma tese que aborda a história, a semiótica e as questões da limitação da reprodução em mídia impressa. Só pelo fôlego de tratar de um mesmo assunto por ângulos tão distintos Helena já merece parabéns.
A parte “histórica” da tese, que discorre sobre as limitações da mídia impressa desde a invenção da imprensa é interessante, pois mostra que determinadas reproduções não tem por objetivo serem fiéis ao original. Na verdade acabam sendo comercializadas – ou consideradas - como originais o que põe em xeque a questão do que é “original” ou “cópia” de fato.
Na parte “prática” Helena discorreu ainda sobre a evolução das técnicas de impressão, de 3 até 16 cores, em que os pontos de impressão variam conforme a tecnologia da época ou técnica utilizada. O ponto mais interessante talvez tenha sido mostrar que nenhuma técnica de impressão dá conta da fidelidade de cores do original, demandando artifícios técnicos como o aumento do número de cores ou variação no tipo de ponto a ser utilizado para impressão.
No arcabouço teórico, Helena citou Walter Benjamim – um teórico da imagem que também é precursor do hipertexto – na questão do simbólico que a imagem possui, o caráter especular da imagem, de reproduzir valores de seu observador, sociedade e época.
A qualidade das imagens exibidas – em projeção ou em exemplares impressos – mais o detalhamento dos assuntos tratados e diversidade de pontos de vista sobre um mesmo tema involuntariamente acabou por definir um padrão de qualidade a ser seguido ou atingido no mestrado. Parabéns de novo, Helena!
Na mesa avaliadora, João Leite acabou ficando com a maior parte crítica, ao perguntar porque a Flexografia ou Serigrafia não entraram na discussão; Helena explicou que priorizou técnicas que normalmente são utilizadas com qualidade fotográfica. Outro questionamento foi a falta de um glossário; a elaboração deste glossário seria uma segunda tese, por isso não foi considerado. João (re)citou trechos da tese que considerou tão elucidativos quanto corretos - ou poéticos.
Lucy Niemeyer e Washington Lessa (orientador) ficaram com as considerações finais, elogiando a tese, que, antes de ser oficialmente publicada, já foi utilizada como referência acadêmica/bibliográfica.
Infelizmente não pude ficar para assistir a defesa de Gérson, sobre plásticos, mas prometo colocar um resumo ou depoimento de quem assistiu num próximo post.
Deixe uma resposta.