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Blog de Mestrado em Design, PPDESDI / ESDI, Wallace Vianna

Defesa design e movimento Armorial

A dissertação “As Relações entre Design e o Armonial de Suassuna” de Francisco Beltrão do Valle, defendida em 29/05/2008, a partir das 14h30, desenvolveu uma linha histórica ao descrever o Movimento artístico-cultural pernambucano Armorial, criado por Ariano Suassuna, além de discorrer sobre o design dentro desta produção artística, enfocando a tipografia baseada na iconografia adotada por este movimento.

Na parte de design, as fontes tipográficas criadas por designers baseadas no movimento Armorial remetem a tipografia criada por Suassuna, que por sua vez se baseou nos ferros de marcar gado. Esta opção dos designers foi criticada pela banca, uma vez que os ferros de marcar são mais originais (no sentido estrito da palavra, da origem da forma) e mais ricos em detalhes do que a tipografia criada pelo mundo do design. Por outro lado a banca aprovou a abordagem de Francisco ao escolher a tipografia como elemento de design, por oferecer elementos incontestes de design (construção, serialização, modularidade, etc).

Dentre as peças de design criadas pelo movimento estão as iluminogravuras (poesias ilustradas) que como elemento de design possui toda uma estruturação (simetria, espelhamento, proporcionalidade) que mereceu fazer parte da análise, pois esse rigor formal é algo pouco comum dentro duma arte dita popular.

A parte histórica foi muito interessante, pois ao fazer o inventário do movimento fica claro que o movimento Armorial se apropriou de uma série de movimentos culturais (arte de cordel, p.ex.) para criar uma cultura própria, com critérios rígidos criados por Suassuna. Chico Science por exemplo, independentemente de sua genialidade própria de sua obra, se declarava Armorial mas não o era considerado por Suassuna – e outros – por “reunir coisas boas e ruins, como o hop-hop e cultura popular” no seu movimento Mangue Beat.

A parte semiológica discorreu sobre linhas de pensamento filosófico e semiológico que poderiam justificar o pensamento Armorial, como Panofsky, o que no entender de parte da banca, foi algo pouco desenvolvido. Se é possível fazer uma crítica-da-crítica, penso que temas paralelos ao design, mesmo que existam para justificar linhas de pensamento sobre o tema principal, se desenvolvidos dentro do que seria “academicamente correto” incorrem no perigo de criar uma “tese dentro da tese”, ou dar origem a teses que caberiam bem em outras áreas do conhecimento (comunicação?) num lugar onde esse conhecimento (design, no caso) já está circunscrito. Enfim, fica o alerta de que todas as proposições devem ser bem justificadas ou definir de antemão qual será a sua abordagem (de modo superficial ou detalhado).
Até os slides de Franciscos foram trabalhados dentro da filosofia do trabalho, ao utilizar fontes armoriais. Apesar do resultado se prestar mais a leitura em papel (de perto) foi uma boa apresentação que optou por abordar um tema normalmente negligenciado pelo design – uma atividade considerada de elite? - a cultura popular.

Francisco  - Slide da apresentação da defesa

Francisco - Após a defesa, ao lado de Helena

Francisco - Slide da defesa

Francisco - Platéia da defesa

Francisco - Banca avaliadora



Uma resposta para “ Defesa design e movimento Armorial ”

  1. admin Setembro 18th, 2008 22:54

    Como os comentários neste blog estão bloqueados (o Blog mudou de endereço, então…) posto aqui os comentários de Francisco Valle, nosso colega Chico Valle, em síntese, já que as referências são o post acima:

    “De fato, um dos pilares da minha dissertaação, o Alfabeto Sertanejo e as fontes tipográficas surgidas após esta realização de Suassuna. Porém, a ‘iconografia’ do Movimento Armorial não se resume ao universo imagético e material sertanejo (ou da civilização do couro).

    Não considero a questão tipográfica a única questão de Design do trabalho. Levo em consideração o discurso ótico e estético presente no corpus teórico deste movimento… Aspectos que considero relevantes para o campo do Design.

    Não lembro da crítica de que os ferros de marcar são mais originais e mais ricos em detalhes do que a tipografia criada pelo mundo do design. Eu procurei anotar todos os comentários e, na verdade, acho difícil que o Washington, a Solange ou o Guilherme tenham feito tal juízo de valor.

    Nao digo que iluminogravura é design, muito menos que se trata de arte popular… todo o contrario: erudito inspirado em popular!

    Não concordo que arte de cordel seja movimento cultural.”

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